Cuidado para não se endividar mesmo com a baixa dos juros

Nós últimos os meios de comunicação têm falado muito sobre a baixa dos juros pelos bancos públicos obrigando os bancos privado a reduzir suas taxas para não perderem clientes. De modo geral é uma boa notícia para a economia nacional especialmente para quem precisa fazer emprestimos.

O que não podemos é nos deixar influenciar pela euforia da mídia e cair na tentação do endividamento, lembre-se que poupar sempre é a melhor opção em todas as fazes da vida. E digo mais “Se você não consegue guardar, o simples ato de não contrair dividas já é uma grande economia”.

Agora se por motivos de maior grandeza você tenha que recorrer aos empréstimos bancários, todo cuidado é pouco. Veja casos e condições das novas e tão faladas taxas de juros.

O anúncio do Banco do Brasil na última quinta (19) das novas reduções nas taxas de juros em empréstimos para pessoas físicas e empresas, deram sequência à guerra travada por bancos públicos e privados por clientes. As novas taxas do BB entram em vigor a partir de segunda-feira e incluem reduções em linhas de crédito que já tinham sido reduzidas na semana passada.

Outros bancos como a Caixa e grandes instituições privadas também anunciaram cortes nas taxas de juros recentemente, tanto para pessoas físicas, como para pessoas jurídicas. No início da semana, o HSBC anunciou que acompanharia a tendência dos bancos públicos. Anteontem, Bradesco e Itaú Unibanco divulgaram novas taxas para várias operações. O Santander também anunciou taxas mais baixas para o cheque especial e em operações de crédito para pessoas jurídicas.

Condições
Embora a instituição tenha divulgado que mais de 60 mil clientes já aderiram aos pacotes de serviços Bompratodos, que oferecem as taxas mais atraentes, as condições para contrair empréstimos não são poucas. Inicialmente, o cliente precisa ser correntista do banco na maioria das operações.

Se quiser ter acesso às taxas mais baixas, precisa obedecer a critérios, como receber o salário pelo banco, dividir o pagamento em menos parcelas e ter um bom relacionamento com a instituição – ter aplicações em caderneta de poupança e em outros investimentos são levados em consideração. Em financiamentos de veículos, as taxas menores são apenas para a compra de carros novos, com pagamento em até 12 meses. Critérios semelhantes são usados nos outros bancos.

Endividamento
Um cliente do Banco do Brasil que foi ontem à agência acompanhada da avó para pedir um empréstimo, e preferiu não identificar, resolveu que vai esperar até a semana que vem. “Como eles anunciaram uma nova diminuição nos juros, provavelmente vamos esperar um pouco mais”.

A economista do Proteste, associação de defesa do consumidor, Tâmara Sousa, orienta os clientes que forem pedir novos empréstimos a se informarem antes sobre a quem se aplicam as taxas mínimas. “O consumidor não deve ir a uma agência achando que vai conseguir as taxa menores, se ele não se encaixa nas condições impostas pelos bancos. É importante evitar o endividamento”, alerta.

Em visita à agência da Caixa em Ondina ontem, a psicopedagoga Ana Cristina Orrico estava resolvendo pendências relativas a um empréstimo tomado anteriormente, com as taxas ainda mais altas, e conta a experiência.

“No final das contas, acabei pagando uns R$ 4 mil a mais só de juros”. Mesmo com as taxas de juros mais baixas, ela desencoraja quem pensa em tomar empréstimos. “Eles falam que a taxa é baixinha, mas quando você vê, é um grande engodo”.

Tire dúvidas sobre empréstimo em bancos
A associação de defesa dos consumidores Proteste divulgou uma recente pesquisa mostrando que há restrições nos benefícios anunciados pelos bancos. A economista Tâmara Souza esclarece alguns pontos. Confira:

As taxas de juros vão ficar mais baixas para todos os clientes?
Nem todo consumidor terá acesso às taxas mais baixas. Eles estarão sujeitos a uma análise de crédito que inclui critérios como o relacionamento do cliente com o banco, se o cliente recebe ou não o seu salário pelo banco, qual sua renda, etc. Em financiamento de veículos, por exemplo, para conseguir a taxa mínima, é preciso parcelar em 12 meses, dando 50% de entrada. O consumidor deve ficar atento a esses detalhes.

Quem realmente se beneficia com a queda dos juros?
Depende de cada linha de crédito, mas em geral quem é cliente há mais tempo, que tem maior renda e tem melhores condições para pagar a dívida no futuro.

A diminuição das taxas é retroativa aos empréstimos feitos antes da queda de juros?
Não. O que o cliente pode fazer é procurar seu gerente e pedir um refinanciamento com as taxas mais baixas. No entanto, o banco não é obrigado a ceder a esse pedido. Caso o cliente não consiga novas taxas, ele pode usar a possibilidade de recorrer a outro banco no momento da negociação.

A que detalhes o consumidor deve prestar atenção no momento de contrair uma nova dívida ou de mudar uma dívida para outro banco?
O consumidor tem que pensar que é um bom momento para refinanciar dívidas com taxas mais baixas, não para se endividar mais. Quem for contratar um novo empréstimo deve sempre estar atento às taxas de juros que pagará. Aqueles que pretendem vender a dívida a um outro banco deve observar quais taxas deverá pagar para abrir uma nova conta, que serviços ele terá de contratar, etc. Enfim, deve sempre observar o que cabe no orçamento dele.

Quais são as obrigações do banco no momento de contratação de um empréstimo?
O banco tem que deixar tudo claro: o cliente tem que saber quais taxas pagará, todos os juros e outras despesas que estão sendo inclusas na contratação do empréstimo.

Fonte: Correio 24H

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